Pular para o conteúdo principal

Explicando minha ansiedade

A ansiedade não é uma visita 
Ela gosta do conforto da mente em sofrimento e vem de mala feita
A ansiedade é aquele zumbido no ouvido bem na hora de dormir
É aquele despertador que grita quando o sono começa a ficar bom
É um pesadelo vívido 
A ansiedade vive acordada 
E busca companhia 
A ansiedade é uma visão turva
Ela mantém a interpretação de refém 
E cria seu próprio mundo onde tudo é possibilidade o tempo todo
Ela é aquela visão embaçada que aponta para um saco de lixo na rua
E não sabe se é um cachorro, uma pilha de roupas, uma pedra, uma pessoa
Se é alguém pronto para te atacar
Se é uma bomba ou um carro correndo na sua direção 
A ansiedade é criativa 
Formiga vira dragão
Garoa vira tempestade 
Sol vira explosão 
A ansiedade é uma balada lotada 24 horas
É a briga na fila, a pessoa que vomita no banheiro, o casal que se beija no canto, as vozes que se misturam, as amigas que danças enquanto uma estranha chora ao lado
Tudo ao mesmo tempo
Enquanto você tenta desesperadamente encontrar um jeito de ir para casa
Para o silêncio do seu quarto
Ela é o nó que fecha sua garganta 
Quando você pede um tempo
Ela é o tempo que você passa olhando para fora
E se esquecendo de olhar para dentro

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Aurora

Correndo contra o tempo Quase entregue ao desespero A chuva me gritou para continuar Todo vazio que senti por dentro foi expresso em minha janela Como dona do céu, meu choro não caiu do rosto Momentos divinos são estes em que a natureza fala por nós Pensei em desistir, sem nem tentar Mas as nuvens pararam para eu continuar Um ato que apenas a espiritualidade da poesia é capaz de explicar A tempestade que se iniciava na rua se transfere para meu corpo Me deixando completamente nua Pedi licença para chover O universo me deu permissão para ser artista Náufraga em meu mar Fui Alice e me deixei levar Imersa no carnaval dos meus pensamentos Não vou tentar calar os gritos O que pede para sair só procura porta aberta Meu corpo se agita e aperta minha garganta A ventania em minha alma gela minha pele Os trovões em minha cabeça me assustam Meu coração fica inquieto e reclama Enfim, a primeira lágrima se derrama E o sol nasce em minha janela Como dona do céu, brilhei també...

Eva

Prazer e pecado O que você mais deseja e mais despreza O corpo que gera vida e enfrenta a morte Corpo que tem o poder de criar aquele que cria Que peca por trazer o caos a terra Aquele que fez a vida e trouxe aquele que a destrói Maldito corpo Corpo que geme, treme, chora Que sangra dentro e fora Que tem a fruta proibida entre as pernas  Aquela que te da água na boca e repulsa Irrita e excita Cale-se Sou filha de Eva  Dos pecados o pior Dos horrores o mais terrível A boca que fala  A mente que pensa Não sou mulher para qualquer um Sou o inferno de quem quer e o paraíso de quem deixa Não sou bicho de sete cabeças Sou um coração que sente e grita Mas só entende quem se permite

Complexo de Salvador

Me disseram que eu não podia salvar ninguém E eu disse "isso é mentira" Eu acreditei que minha poesia salvaria  Mas ninguém salva o outro de si Eu aprendi A poesia questiona certezas Mas não as muda  Você me disse "Obrigada pela sua escrita Me sinto uma nova pessoa" Mas comete os velhos erros  A minha poesia não muda ninguém  Porque por mais que eu te avise  "Não vá, eu conheço o caminho" Você insiste em ver por si mesma A minha poesia não apaga o ensinamento da experiência Vá, aprenda que quem bota a mão no fogo se queima Que quem tenta respirar na água se afoga Que quem tenta voar sem asa, cai Vá, viva exatamente o que eu escrevi Viva as dores que eu vivi  Você diz "eu li"  Mas com quais olhos?