Correndo contra o tempo
Quase entregue ao desespero
A chuva me gritou para continuar
Todo vazio que senti por dentro foi expresso em minha janela
Como dona do céu, meu choro não caiu do rosto
Momentos divinos são estes em que a natureza fala por nós
Pensei em desistir, sem nem tentar
Mas as nuvens pararam para eu continuar
Um ato que apenas a espiritualidade da poesia é capaz de explicar
A tempestade que se iniciava na rua se transfere para meu corpo
Me deixando completamente nua
Pedi licença para chover
O universo me deu permissão para ser artista
Náufraga em meu mar
Fui Alice e me deixei levar
Imersa no carnaval dos meus pensamentos
Não vou tentar calar os gritos
O que pede para sair só procura porta aberta
Meu corpo se agita e aperta minha garganta
A ventania em minha alma gela minha pele
Os trovões em minha cabeça me assustam
Meu coração fica inquieto e reclama
Enfim, a primeira lágrima se derrama
E o sol nasce em minha janela
Como dona do céu, brilhei também
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