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Aurora


Correndo contra o tempo
Quase entregue ao desespero
A chuva me gritou para continuar
Todo vazio que senti por dentro foi expresso em minha janela
Como dona do céu, meu choro não caiu do rosto
Momentos divinos são estes em que a natureza fala por nós
Pensei em desistir, sem nem tentar
Mas as nuvens pararam para eu continuar
Um ato que apenas a espiritualidade da poesia é capaz de explicar
A tempestade que se iniciava na rua se transfere para meu corpo
Me deixando completamente nua
Pedi licença para chover
O universo me deu permissão para ser artista
Náufraga em meu mar
Fui Alice e me deixei levar
Imersa no carnaval dos meus pensamentos
Não vou tentar calar os gritos
O que pede para sair só procura porta aberta
Meu corpo se agita e aperta minha garganta
A ventania em minha alma gela minha pele
Os trovões em minha cabeça me assustam
Meu coração fica inquieto e reclama
Enfim, a primeira lágrima se derrama
E o sol nasce em minha janela

Como dona do céu, brilhei também

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Eva

Prazer e pecado O que você mais deseja e mais despreza O corpo que gera vida e enfrenta a morte Corpo que tem o poder de criar aquele que cria Que peca por trazer o caos a terra Aquele que fez a vida e trouxe aquele que a destrói Maldito corpo Corpo que geme, treme, chora Que sangra dentro e fora Que tem a fruta proibida entre as pernas  Aquela que te da água na boca e repulsa Irrita e excita Cale-se Sou filha de Eva  Dos pecados o pior Dos horrores o mais terrível A boca que fala  A mente que pensa Não sou mulher para qualquer um Sou o inferno de quem quer e o paraíso de quem deixa Não sou bicho de sete cabeças Sou um coração que sente e grita Mas só entende quem se permite

Complexo de Salvador

Me disseram que eu não podia salvar ninguém E eu disse "isso é mentira" Eu acreditei que minha poesia salvaria  Mas ninguém salva o outro de si Eu aprendi A poesia questiona certezas Mas não as muda  Você me disse "Obrigada pela sua escrita Me sinto uma nova pessoa" Mas comete os velhos erros  A minha poesia não muda ninguém  Porque por mais que eu te avise  "Não vá, eu conheço o caminho" Você insiste em ver por si mesma A minha poesia não apaga o ensinamento da experiência Vá, aprenda que quem bota a mão no fogo se queima Que quem tenta respirar na água se afoga Que quem tenta voar sem asa, cai Vá, viva exatamente o que eu escrevi Viva as dores que eu vivi  Você diz "eu li"  Mas com quais olhos?