Tem pouco tempo que eu comecei a amar estar viva
Eu passei muito mais que a metade da minha vida não querendo ela
Passei anos chorando
Implorando pra que tudo parasse
Eu desejava todos os dias que tudo acabasse
Foi praticamente esses dias que eu comecei a amar estar aqui
Que passei a amar tudo que eu construí
Tem pouco tempo que eu parei de me destruir
Eu passei a gostar do movimento
Não quero mais dias lentos
Eu grito, choro, rio, amo, mas eu não paro
Então, não se preocupe se eu não sorrir
Pode ser só um dia ruim
Se preocupe se eu parar de sair
Se minha cama virar parte de mim
Pode saber que eu voltei pra lá
Que mais uma vez eu cavei aquele buraco
Onde a terra aos poucos me cobre
A luz não passa
E logo o ar acaba
Não se preocupe, eu tô bem
Eu gosto de chorar
Se preocupe se nem isso eu conseguir fazer
Ou se isso for tudo que eu consigo fazer
Quando eu parar de falar que a vida é boa
Pode sentir medo
Porque pode ser que eu queira ir embora
Pode ser que a poesia, a terapia, meu inibidor de serotonina
Não dêem conta mais
Mas eu repito
Eu tô bem e eu amo a vida
Mas eu respiro com medo de não querer mais
Eu tento viver um dia de cada vez
Mas toda vez que eu me sinto triste
Eu sinto que eu tô voltando pra lá
Pra aquele lugar
Que todo dia me mata
Mas não se preocupe
Eu amo a vida
E eu amo amar
Correndo contra o tempo Quase entregue ao desespero A chuva me gritou para continuar Todo vazio que senti por dentro foi expresso em minha janela Como dona do céu, meu choro não caiu do rosto Momentos divinos são estes em que a natureza fala por nós Pensei em desistir, sem nem tentar Mas as nuvens pararam para eu continuar Um ato que apenas a espiritualidade da poesia é capaz de explicar A tempestade que se iniciava na rua se transfere para meu corpo Me deixando completamente nua Pedi licença para chover O universo me deu permissão para ser artista Náufraga em meu mar Fui Alice e me deixei levar Imersa no carnaval dos meus pensamentos Não vou tentar calar os gritos O que pede para sair só procura porta aberta Meu corpo se agita e aperta minha garganta A ventania em minha alma gela minha pele Os trovões em minha cabeça me assustam Meu coração fica inquieto e reclama Enfim, a primeira lágrima se derrama E o sol nasce em minha janela Como dona do céu, brilhei també...
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