Foi um erro desejar que eu escrevesse sobre você
Foi você que me ensinou que a arte é ingrata
Não quero escrever sobre como seu sorriso me encanta
Sobre como sua risada é uma delícia de ouvir
Não quero escrever sobre como te admiro
Sobre como poderia passar horas te ouvindo sem cansar
Não quero escrever sobre como foi um alívio te conhecer
Sobre como é bom te ter na minha vida
Ingrata como deve ser
Minha poesia é sobre como me sinto ansiosa ao seu lado
Como que meu corpo me pede socorro
E me pergunta "mais um?"
Faz tão pouco tempo que veio um e que outro passou
Meu coração aperta e me pergunta "mais um?"
Depois de tanto choro e tanto grito, eu me pergunto
Mais um?
Meu amor, minha poesia é ingrata
Porque mesmo que nosso encontro pareça obra do universo
Como se quisesse me dizer
"Você merece alguém"
Eu não paro de me perguntar
Será mais um?
Mais um que eu não vou saber amar
Mais um que eu vou sufocar com meus problemas
Mais um que eu vou culpar por não ser outro
Mais um que não fica
Mais um que eu não deixo ficar?
Porque por mais que eu acredite que você não é eles
Você é mais um que desafia meu coração
E meu coração está exausto
Então não espere de mim uma poesia de amor
Não espere que eu confesse o fato de que sonho com o amor
Que desejo me apaixonar e dizer "sim, eu aceito"
Eu aceito ser minha com você
Eu aceito essa parceria
Eu aceito compartilhar uma vida com você
Eu aceito...
Eu aceito toda a dor reprimida que eu confesso no álcool e no cigarro
Eu aceito a inconstância de ser
De sorrir de tarde e chorar de noite
De me apaixonar de noite e de fugir pela manhã
Eu quero aceitar a paz, mas cadê ela?
Porque mesmo quando a tempestade passa
Eu procuro defeito no arco-íris
Eu sei que o problema sou eu
Mas talvez seja outra coisa também
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